Promoções

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A dignidade e a valorização da mulher


Os primeiros passos da humanidade rumo a dignificação da mulher foram registrados, com maior nitidez, a partir do século IX, em grande parte, à medida que a sociedade medieval adotava a prática do casamento monogâmico, que conferiu à mulher um novo estatuto no plano das relações sociais: ela passou a ser o módulo essencial para a constituição da família , garantindo-lhe unidade e solidez.
Jorge Borges Macedo, em artigo publicado pela revista Oceanos, estuda as causas da participação política e do crescente prestígio social que a mulher conquistou no decorrer da Idade Média. Ele aponta o casamento monogâmico como um dos fatores decisivos para a progressiva intervenção feminina na Corte e nos domínios senhoriais, a partir do século XII, em Portugal. Nas palavras do autor: "Para o mundo medieval os casamentos reais e senhoriais são atos políticos providos de eficácia pública. Nesse aspecto, a mulher tornou-se, assim, a garantia de funcionamento dos sistema político ou social, assim como a condição básica da sua estabilidade."
Para melhor avaliarmos o salto de qualidade que representou a participação feminina no campo político, diligentemente preservado como o espaço por excelência do homem, basta ter em conta a condição da mulher nos séculos em que vigorou o Império Romano. Mediante o "patris potestas", cabia ao pai decidir sobre a vida dos filhos que gostaria de alimentar. Tal como ocorre atualmente na China, os meninos eram preferidos em detrimento das meninas, que só gozavam de maior apreço na condição de primeira filha. De acordo com Régine Pernoud, entre os celtas, germânicos e nórdicos vigorava uma maior igualdade entre homem e mulher no interior da família: "O regime familiar inclinava [os cônjuges] a reconhecer o caráter indissolúvel da união entre o homem e a mulher, e, no caso dos francos, por exemplo, constata-se que o 'wehrgeld', o preço do sangue, é o mesmo para a mulher e para o homem, o que implica um certo sentido de igualdade" .
Acrescenta que a concepção cristã do casamento, implantada ao longo da Idade Média, em virtude da conversão das tribos bárbaras, propiciou e fortaleceu a igualdade e a reciprocidade entre os esposos. Instaurava-se, por assim dizer, uma simetria no relacionamento entre homem e mulher: "A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma, o marido não pode dispor de seu corpo: ele pertence à sua esposa. (I Cor. VII, 4)" . Esta concepção radical e renovadora da relação: homem mulher, em confronto com a cultura antiga e pagã de cunho machista, implicou a introdução de uma nova mentalidade e de um novo olhar relativamente à imagem e identidade femininas. E ela só se instaurou pouco a pouco, com forte e inevitável dificuldade, nas regiões que sofreram o domínio romano. Nas palavras do jurista Robert Villers: "Em Roma, a mulher, sem exagero ou paradoxo, não era sujeito de direito... Sua condição pessoal, as relações da mulher com seus pais ou com seu marido são da competência da domus da qual o pai, o sogro ou o marido são os chefes todo-poderosos...
A mulher é unicamente um objeto" . Para o Direito Romano, a mulher era uma perpétua menor, que passava da tutela do pai à do marido. Régine Pernoud atribui ainda à reimplantação do Direito Romano, em vários países da Europa, no século XVI, a responsabilidade pelo retrocesso da atuação feminina no âmbito familiar, social e político. A mulher que vinha conquistando espaço, do século X ao XIII, no âmbito familiar, na sociedade e na arte, sofre um eclipse no período subseqüente, resgatando o prestígio que conquistara na sociedade medieval somente no século XX . Os benefícios do casamento monogâmico não se restringiram à possibilidade de o espaço social e político contar com a intervenção feminina. A mudança mais significativa relativamente à dignidade da mulher deu-se no plano da relação: feminino masculino.
Em que condições de segurança viviam as mulheres nas tribos bárbaras, ainda não cristianizadas? Relata Georges Duby que nos primeiros séculos da Idade Média e, em algumas regiões, mesmo nos séculos XI e XII, as mulheres estavam expostas a contínuos riscos quanto à integridade física e emocional . Tal como retratam alguns filmes atuais: "Coração Valente" ou "Joana D' Arc", as donzelas eram freqüentemente violentadas. Duby menciona o fato de que bandos de jovens rebeldes eram estimulados a se "divertir" longe das fronteiras da região natal. Por isso invadiam condados vizinhos com o intuito de violentar coletivamente suas mulheres e donzelas. Foram necessários séculos para evoluir da barbárie à civilização no que concerne à relação entre homem e mulher. Porém, o avanço representado pela união monogâmica, como lembra o historiador português Jorge Macedo, atingiria níveis muito mais altos no relacionamento entre homem e mulher.
O casamento no mundo ocidental e cristão pressupunha uma troca de informações sobre o outro, base da relação de pessoa a pessoa, que se instaurava no âmbito familiar, à medida que a mulher deixava de ser um mero objeto de fecundação substituível e descartável, para ser uma presença permanente, capaz de contribuir para a unidade e humanização da família. E a arte passaria, ao longo da Idade Média, a exercer um papel social de relevo, ao propiciar o conhecimento da alteridade, na revelação desse mundo interior do outro, cuja contemplação está, muitas vezes, velada nas relações quotidianas, mas que a poesia, o romance, a pintura ou a crônica põem diante dos olhos do leitor, instigando-o a levar em conta as nuanças de sensibilidade, de comportamento ou de valores inerentes ao outro. Como conseqüência da relação pessoal, necessária à prática do casamento monogâmico, fez-se mais claro tanto no quotidiano do ambiente familiar, quanto no universo político e social, que a relação de pessoa a pessoa não podia ser somente um ato voluntário ou de razão , mas impregnado de afetividade.
Ora, as decisões que se enriqueciam com o ingrediente afetivo, ganhavam em qualidade na constante renovação da responsabilidade que igualmente implicavam. Afirma Borges que o estudo e a análise das relações de afeto no casamento monogâmico, tornou-se "( ...) uma característica essencial de todas as sociedades européias: o universo afetivo de escolha e a consciência íntima que a ela preside tornaram-se, em pouco tempo, essenciais ao quotidiano, assim como o cerne da focagem literária e artística do ideal da convivência e um campo necessário de expressão moral e antropológica." Em síntese, no casamento monogâmico está pressuposto um conceito muito alto do ser humano, que não merece menos do que a fidelidade recíproca entre homem e mulher.
O mesmo se dá em relação aos filhos, que não merecem menos do que a presença acolhedora, afetiva e exigente dos pais, cujos esforços convergem para a humanização da família e, de modo especial, dos filhos. Nada substitui o cume em humanidade representado pela união monogâmica, incluído o novo código civil, no esforço por minimizar a perda imposta às vítimas de um casamento que se desfez ou que não houve. Mas, nesse momento, em pleno século XXI, impõe-se a pergunta: não seria um retrocesso apontar os benefícios do casamento monogâmico, quando a mídia e alguns segmentos da sociedade aplaudem o namoro e o casamento descartáveis? Não. Em hipótese alguma.
O casamento ou o namoro à dinamarquesa, inerentes à barbárie, é que constituem um retrocesso relativamente à união monogâmica, e só se instauram - tal como assinala o percurso histórico -, mediante o rebaixamento do cônjuge à condição de ser descartável, diminuído por um amor (seria amor?) tão desumano quanto a maionese ou a margarina: com prazo de validade vencido. Em suma, a poligamia, oficiosa ou garantida por lei, reduz homem e mulher à categoria de ingênua marionete no jogo machista ou feminista do prazer a qualquer preço.
E, neste caso, o preço é alto, muito alto: a angústia de se sentir usado, a dor e o sabor amargos de quem negou a si mesmo o direito de amar e ser amado como pessoa, e consentiu em desprezar-se, vivendo dos despojos de sua própria humanidade.

terça-feira, 29 de junho de 2010

A Mulher na Atualidade


Antigamente mulher era apenas vista como um mero ser cujo papel era basicamente o de geradora de filhos. Para isso, tinha de se desprender do papel de esposa e, então, exercer a função de cuidadora das pessoas e do lar em que estava inserida. Hoje, a sociedade exige da mulher vários papéis. Cuidar da casa deixou de ser o único afazer de quem, hoje, precisa dividir o tempo entre o ser mãe e ser profissional.
Todas as atividades, entretanto, precisam ser executadas com perfeição - coisa que quase não é reconhecida diariamente por quem está ao seu redor, sobretudo os filhos. É importante lembrar que essa reviravolta no comportamento da mulher trouxe à tona um conflito: como se dedicar à maternidade se o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo?
É fato que a excessiva carga de trabalho traz alguns pontos negativos. Em alguns casos, percebe-se que muitas mulheres não conseguem desempenhar com afinco o sonhado papel de mãe que desejara. Como é preciso se adequar a uma rotina de horários específicos, é cada vez mais difícil conseguir tempo para acompanhar o desenvolvimento maturacional e emocional de seu filho. Momentos como o primeiro balbucio e a fala da primeira palavra acabam sendo perdidos. Uma fase maravilhosa da criança que, infelizmente, alguns pais deixam passar despercebido e quando se dão conta desse acontecimento magnífico o filho já não poderá voltar para fazê-lo.
Hoje ser mãe não é apenas ser geradora, protetora, carinhosa, amorosa, entre outras características que envolvem este papel de mulher na atualidade, é também trabalhar fora, mas sem se esquecer de seus afazeres maternais; é acordar cedo, chamar o filho, dá banho, arrumá-lo, fazer questão que todos estejam à mesa para tomar café, fazer seu lanche e levá-lo para escola. Perguntar para a professora como está seu comportamento em sala de aula, é preocupar-se se está indo bem e se está aprendendo algo valioso. É reconhecer quando está errando na educação do filho e procurar ajuda para tentar consertar. É ir trabalhar, mas ligar para a escola e saber se ele ainda deu febre, entre outros inúmeros exemplos que poderia citar e mesmo assim não acharia todos.
Ser mulher na atualidade não é somente dar a luz, é criar. Ter o dom de criar alguém não é dado a qualquer mulher, mas o dom de ser mãe é uma dádiva. Ser mulher na atualidade não tem hora para começar e parar a exercer tal função, é não ter noção de quanto é bom repetir para o filho que o ama, é perder as estribeiras quando alguém o machuca, é dizer milhões de vezes que ele é o filho mais lindo que existe no mundo e virar uma fera quando alguém fala mal dele. É trocar experiências com outras mães, é nunca se cansar de falar do filho, É se compadecer da dor de outras mães, é defender o filho de tudo e de todos, é protegê-lo de todo e qualquer perigo e ficar acordada altas horas da madrugada esperando ele voltar das baladas É ligar para saber onde ele está e se está bem, é se preocupar se comeu bem, se dormiu bem, enfim, ser mulher na atualidade é ser fundamental na vida de todos.
*Psicóloga do Centro Infantil Vila das Letras.
www.viladasletras.com

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Mulher Hera



Imponente e real, a bela Hera, a quem os romanos conheciam como Juno, era a Deusa do matrimônio. Pensa-se que seu nome signifique "Grande Senhora".
Era a esposa de Zeus (Júpiter), o deus supremo dos olímpicos por quem era sempre traída. Os conflitos com Zeus refletem o poder que ela outrora deteve com uma grande deusa cuja a veneração precedeu Zeus.
Com o advento da sociedade patriarcal Hera deixou de ser cultuada com uma grande mãe, e passou a ser cultuada como esposa de Zeus, e a ser considerada co-governante do Olimpo, onde oficialmente partilhava o poder com o chefe dos deuses.
Na mitologia grega Hera tinha dois aspectos contrastantes: era solenemente reverenciada e venerada em rituais como poderosa deusa do casamento ( conceito matriarcal, resquício da cultura matrilinear), e foi difamada por Homero como víbora vingativa, brigenta e ciumenta( conceito patriarcal que procurou ridicularizar e mutilar as divindades femininas, em favor do engrandecimento das divindades masculinas).
Como Deusa do casamento, Hera foi reverenciada e injuriada, honrada e humilhada.Ela mais do que qualquer outra deusa , tem atributos marcadamente positivos e negativos, o mesmo é verdadeiro para o arquétipo de Hera, uma força intensamente poderosa para a alegria ou a dor na personalidade de uma mulher. A Mulher-Hera exala confiança em si mesma, tem perfeito domínio sobre si própria e também sobre os outros.A consciência de Hera é sempre percebida nas mulheres mais velhas.
A Mulher-Hera é aquela que nasceu para mandar, podendo se tornar impiedosa como dirigente de uma organização ou até mesmo de uma nação, caso se veja desafiada, menosprezada, ou traída.
Em nosso mundo, ela costuma personificar a esposa de "um grande homem".
Hera é um oponente formidável, seja na família ou na esfera política.
Uma vontade de ferro, valores inalienáveis e idéias fixas caracterizam a Mulher-Hera madura.
Uma versão desta mulher foi percebida em Margareth Thatcher, a mulher implacável, onde os membros do governo britânico mostravam-se profundamente chocados com os modos arrogantes e ditatoriais da primeira-ministra.
Com ou sem poder, a Hera Moderna é matriarcal, a abelha-rainha de sua família. Defende valores conservadores, como também tenderá a assumir o papel de juíza dos novos gostos e costumes.
Ela adora todos os encontros familiares, onde se vê adorada e rodeada por filhos e netos.
O amor deles geralmente é secundário, muito mais importante é que eles a respeitem e reverenciem.
Independentemente das suas origens sociais, a Mulher-Hera quase sempre aspirará à proeminência em qualquer grupo a que pertencer.
A jovem Hera é muito parecida com a jovem Atena.
Ambas são brilhantes e cheias de energias e exalam auto-confiança.
Mas as ambições de uma e outra são diferentes. A jovem Atena estará ocupada com as opções de pós-graduações e treinamento profissional.
A jovem Hera, mantêm os olhos bem abertos na busca daqueles homens, que ao seu ver têm maior chance de sucesso na vida, e descobrirá alguma maneira de sair e casar com o mais bem sucedido deles. O amor para a jovem Hera só é possível se vier acompanhado de segurança financeira e de uma posição social estável e de destaque
Em resumo, a jovem Hera busca um marido e a jovem Atena busca uma carreira.
A Mulher-Hera dá todas as indicações de aceitar a maternidade com calma e sem hesitação, mas de maneira alguma será a mãe branda, tolerante e permissiva como Deméter.
Sempre preocupada com o "status" e a respeitabilidade social, a mãe Hera é disciplinadora e exigirá que seus filhos sejam tão bem sucedidos quanto o pai.
Quando se diz "atrás de um grande homem, existe uma grande mulher..", é a mais pura verdade e, esta mulher é uma Mulher-Hera.
Considerada a "sombra" do marido, quando não consegue realizar seus desejos e fantasias, ela poderá intimidá-lo e até mesmo tiranizá-lo.
E, se finalmente conseguir o que quer, quase sempre permanecerá sedenta de mais poder e ascenção social.
A dinâmica de Hera consiste em ela querer estar onde as coisas acontecem e a origem da maioria de seus protestos está em excluí-la de qualquer ação.
Bem no fundo, ela quer viver e agir como um homem num mundo de homens.
A Mulher Hera não atribui muito valor as amizades, geralmente não tem uma melhor amiga. Prefere estar com seu marido e programar coisas com ele. Se tem amizade íntima e duradoura com outras mulheres outras deusas são reponsáveis.


Referência: As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen
A Deusa Interior - Jennifer Barker Woolger/Roger J. Woolger

Hera - Na Mitologia Grega


Na mitologia grega Hera (do grego Ήρα, transl. Hēra) é a deusa da família e do ciúmes, equivalente a Juno, na Mitologia romana, irmã e esposa de Zeus, deusa dos deuses, que rege o casamento. Retratado como majestosa e solene, muitas vezes coroada com os polos (uma coroa alta cilíndrica usada por várias deusas), Hera pode ostentar na sua mão uma romã, símbolo da fertilidade, sangue e morte, e um substituto para as cápsulas da papoula de ópio. A vaca, e mais tarde, o pavão eram animais relacionados com ela. Retratada como ciumenta e agressiva, odiava e perseguia as amantes de Zeus e os filhos de tais relacionamentos, tanto que tentou matar Hércules quando este era apenas um bebê. O único filho de Zeus que ela não odiava, antes gostava, era Hermes e sua mãe Maia, porque ficou surpresa com a sua inteligência. Possuía sete templos na Grécia. Mostrava apenas seus olhos aos mortais e usava uma pena do seu pássaro para marcar os locais que protegia. Hércules destruiu seus sete templos e, antes de terminar sua vida mortal, aprisionou-a em um jarro de barro que entregou a Zeus. Depois disso, ele foi aceito como deus do Olimpo. Hera era muito vaidosa e sempre quis ser mais bonita que Afrodite, sua maior inimiga. Irmã e esposa de Zeus, a mais excelsa das deusas, é representada na Ilíada como orgulhosa, obstinada, ciumenta e rixosa. Odiava sobretudo Héracles, que procurou diversas vezes matar. Na guerra de Tróia por ódio dos troianos, devido ao julgamento de Páris, ajudou os gregos. É representada por um pavão e possui uma coroa de ouro.